CUIDADO

Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas

Danos podem ser imediatos ou surgir após anos de exposição às luzes azuis
Por Assessoria 19/08/2025 - 11:46
A- A+
Divulgação
Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas
Uso excessivo de telas impacta saúde dos olhos, alertam especialistas

O uso constante de dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets e computadores, já faz parte da rotina de grande parte da população. No entanto, a exposição prolongada às telas tem gerado preocupações entre especialistas da saúde. Diversos aspectos do organismo podem ser afetados, incluindo a visão, a pele e, especialmente entre jovens, a mente. Médicos e psicólogos da Hapvida alertam para os riscos e indicam formas de minimizar os danos associados à vida digital intensa.

De acordo com o oftalmologista Eduardo Nery, dentre os principais problemas visuais causados pelo uso frequente de telas, estão a chamada síndrome da visão de computador, a secura ocular e o desconforto visual. “Isso pode resultar em fadiga nos olhos, visão embaçada e dor de cabeça. A redução da frequência de piscar leva à sensação de ardor ou coceira”, explica. Ele também ressalta que, embora o uso de telas não cause diretamente problemas refrativos, como miopia, pode piorar quadros existentes. “A fadiga ocular pode estimular o início ou o aumento da miopia, principalmente em crianças e adolescentes”, completa.

O dermatologista Marcelo Picone destaca que a exposição prolongada à luz azul emitida por dispositivos eletrônicos pode prejudicar a qualidade do sono. “Isso acontece porque a luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono, especialmente quando o uso ocorre à noite”, diz. Para reduzir esses efeitos, ele recomenda seguir a regra 20-6-20: “A cada 20 minutos, deve-se olhar para algo a 6 metros de distância por pelo menos 20 segundos”. Ele também sugere o uso de filtros de luz azul e a adoção de bons hábitos visuais, a exemplo de ambientes bem iluminados, pausas frequentes e uso de lágrimas artificiais”.

Na esfera emocional, os impactos não são menos relevantes. A psicóloga Irenilza Moura aponta que o uso excessivo de telas está diretamente relacionado a quadros de ansiedade, depressão e insônia, principalmente entre jovens. “A comparação social constante nas redes afeta muito a autoestima. Crianças e adolescentes passam a medir seu valor pela quantidade de curtidas ou seguidores, o que contribui para o autojulgamento e sentimentos de inadequação”, observa. Além disso, segundo ela, o uso contínuo de dispositivos afeta o sono. “A luz azul das telas reduz a produção de melatonina, prejudicando diretamente a qualidade do sono”, destaca.

Irenilza também chama atenção para o impacto comportamental e social. “O uso prolongado interfere no desenvolvimento de habilidades como empatia, comunicação e resolução de conflitos. Muitos jovens apresentam irritabilidade e dificuldade de lidar com frustrações quando interrompidos”, relata. Para reduzir esses efeitos, ela sugere estratégias práticas: “Desativar notificações, evitar telas após as 17h, incentivar atividades lúdicas e leituras físicas são formas eficazes de reduzir o tempo de exposição sem parecer punição”.

Já do ponto de vista dermatológico, o impacto da luz azul na pele também merece atenção. O dermatologista Marcelo Picone explica que a exposição prolongada à luz visível de dispositivos pode contribuir para o envelhecimento precoce. “A luz azul causa estresse oxidativo, danificando colágeno, elastina e até o DNA celular. Isso pode levar à formação de rugas, flacidez, hiperpigmentação e agravar condições como rosácea ou melasma”, afirma. Embora a intensidade da luz emitida pelas telas seja muito inferior à solar, o médico alerta para os danos cumulativos. “O problema é o tempo, oito horas em frente à tela equivalem a pouco mais de um minuto de exposição ao sol, mas o efeito diário e constante pode se sobrepor”, explica.

Para proteger a pele, Picone recomenda o uso de protetores solares com cor, que contenham óxido de ferro ou zinco, além de antioxidantes tópicos como vitamina C e niacinamida. “Também é importante manter a pele bem hidratada, usar modo noturno nas telas, fazer pausas e manter uma alimentação rica em antioxidantes”, orienta. Ele finaliza com um alerta: “Mesmo que o impacto da luz azul seja menor que o do sol, vale a pena adotar medidas preventivas para evitar o envelhecimento precoce e outros danos”.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato